domingo, 21 de dezembro de 2008
verano
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
tsc
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
esconderijos e encontros
domingo, 16 de novembro de 2008
composição
Basta não ser perecível.
domingo, 9 de novembro de 2008
do que se perde
Só que escrever, escrever é construir labirintos e isto é tudo o que fazíamos, aumentar as paredes e depois virar as esquinas e dar com finais abruptos sem poder olhar por sobre as ameias, sem poder mais do que chamar seu nome e seguir virando ângulos e cruzando umbrais.E foi vagar por este labirinto sem um fio de Ariadne, essa longa e exasperante teia de muros, já faz tanto tempo que eu já não sei, se me visses agora, se eu seria tua saída ou teu minotauro, se erraríamos juntos ou nos tatearíamos sem nos reconhecer no escuro, como mais um trecho de pedra, outro pedaço de muro.
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
parotempo
domingo, 2 de novembro de 2008
magritte
Se apaixonar por um chapéu. Mas foi o que aconteceu, justo por um chapéu, como se ele usasse bigode ou lesse Borges ou jogasse squash. É que ele pairava acima de todas as pessoas comuns. É que ele era algo estático num mundo que não pára de girar jamais. Algo em que se pode confiar. E foi assim, desse jeito besta, me apaixonei por um chapéu. Veja bem: pelo chapéu. Não me entenda errado, porque quando eu olho para você, estou olhando para o chapéu e quando falo com você, estou falando com o chapéu. Eu passaria reto por você na rua, se você estivesse com a cabeça nua, eu mal te reconheceria, tentando me lembrar agora, eu mal consigo reunir dois fragmentos que te formem um rosto. Não me entenda errado, querido, você sempre estará à sombra desse seu chapéu.
Quando eu penso em você, estou pensando no chapéu. Não me entenda errado.
Quando eu beijo você. Eu só estou tentando encontrar um espaço sob as abas.
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
meia luz
era o crepúsculo. ela se emaranhava em um nó de dores e desejos. talvez o chamasse de saudade. mas era só o crepúsculo. alguns cientistas - ela havia lido certa vez - demonstraram que muito do que sentimos - aparentemente no âmago ou alma - é pura química corporal. e passou a pensar na paixão avassaladora como uma maldição, um ente cruel, um maligno alquimista de seu ser. mas era só o crepúsculo. nem ela, nem os tais cientistas - talvez alguns poetas apenas - entenderam o poder da meia luz a esvair-se. toda nostalgia-depressão-ou-mera-tristeza será sempre filha do assombro da hora em que o dia cede ao breu. até que a noite cai, esparramam-se letreiros, promessas e postes se acendem. enfim, a luz novamente, ainda que outra. e torna tudo mais fácil, mais indolor. ou pior, esperançoso. e depois a aurora.
(ispirado nesse texto de Jaque Lima:
http://jaque-lima.blogspot.com/2008/10/tarde-noite.html)
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
um conto chamado situações (parágrafo 4 de 4)
Um ano antes, a moça que fora dama de honra dessa festa pagã via pela primeira vez o Robertinho. E quase chorou de comoção com o sorriso mútuo à primeira vista. Robertinho, por sua vez, demorou a contá-la que era herdeiro de um vasto patrimônio financeiro construído pelo avô. Antes, preferiu encantá-la com seus dotes artísticos, exibindo seus quadros, até interessantes, mas que juntos nunca chegariam a valer perto de um milésimo do que aquilo que herdaria por sua fortuna genética. Algum tempo depois, eles perderam juntos suas virgindades. E o dia mais feliz da vida dela foi quando, aos 21, recebeu de Robertinho o pedido de casamento no café de uma livraria em Paris. Perceberam bem?, o dia mais feliz da vida dela. O que me deixa triste, dado que viveu até os 89 anos de idade, três filhos, cinco netos, alguns amigos, outros nem tanto, muitas festas, lágrimas e toda aquela coisa.
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
um conto chamado situações (parágrafo 3 de 4)
Pois, no andar de baixo, um menino de 3 anos que ouvia a gritaria e o som das pancadas começava a chorar. Tal garoto, já devo antecipar-lhes, por sua vez, não teve uma vida das melhores, ou das sonhadas por seus pais. Aos 10 anos de idade foi iniciado sexualmente por sua instrutora na colônia de férias, esta aos 17 à época, durante a calada de uma noite fria, em um colchão muito pelo contrário. Mas não sintam pena por isso, dado que o rapazote agradeceu aos céus sua precocidade e as vantagens que passou a possuir, então, sobre os coleguinhas. Precocidade essa confirmada quando aos 15, aí sim, engravidou a namorada. Por isso, foi posto a trabalhar desde cedo. Depois teve uma overdose aos 18, e veio a falecer enfartando aos 41 enquanto curtia a festa de um ano de casamento com sua terceira esposa.
domingo, 12 de outubro de 2008
ensaboa
De me assombrar.
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
um conto chamado situações (parágrafo 2 de 4)
A alguns metros dali, em um apartamento muito bem decorado, a pesada mão de um homem alto e um tanto fora de forma estalava sobre o rosto de uma bela mulher, cuja idade real faria qualquer um crer que a carteira de identidade era por demasiado exagerada. Os xingamentos de puta, piranha, vadia, eram proferidos aos brados pelo homem fora de si. E que, a certa altura, já começava a ditar regras novas sob as quais aquele lar (sic) seria regido. Os ouvidos da mulher deitada, úmidos das lágrimas que o assolavam, sabiam que não havia veracidade em nada daquilo que lhes ressoava. Naquele instante ela tinha certeza de que a relação se encerrava em definitivo. E, apesar do rosto ardendo, não se arrependia um orgasmo sequer. O homem, ainda turvo em seus pensamentos baqueados, sentia que se ela soubesse de todas as suas aventuras poderia taxá-lo de injusto, mas precisava tomar a atitude que a vida lhe ensinara adequada a um homem naquela situação. É possível que esse pensamento tenha disparado nele uma crise de choro logo em seguida, mas não tenho certeza disso.
domingo, 5 de outubro de 2008
incidências
Basta eu dizer isto: você jamais me confundiria com ela na rua. Cachos apertadinhos e brilhantes como aqueles que se fazem com tesouras em fitas para colar em presentes. Ademais, sabe se vestir, não é uma desengonçada feito moi.
Tem uma carinha de estúpida, mas é, sim, bonita de verdade. Não digo para ser má, é que brincamos todos de conversar, pinguepongueamos idéias e bobagens. Ela aperta e pisca os olhinhos como se fosse míope. Como se fosse míope e não estivesse usando os benditos óculos. Quando quer participar, cospe um absurdo que se vê logo de onde vem, tem um abajur sobre a mesa e ela diz “abajur”, um completo fracasso para o dadaísmo.
Me distraí, sinto muito.
A nova garota dele tem o mesmo nome que o meu e o bêbado, o tonto, o parvo se engana. Não sei, o dedo escorrega e ele manda as mensagens que eram para ela para meu Messenger, meu celular. Amor, vou me atrasar. Tenho saudades. Um grande beijo.
Quando eu sei perfeitamente que não são para mim.
Só não sei se ele sabe.
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
um conto chamado situações (parágrafo 1 de 4)
domingo, 28 de setembro de 2008
dedos
Esmalte não é cor, meu amigo, os vermelhos, os marrons e os pinks no fim das contas se parecem e não há por que preferir esta cor à outra. Esmalte é gênio na garrafa, é desejo escondido de se por nas pontas dos dedos, é luz de farolete pra chamar a própria sorte. Daí convém, como poções que são, que tragam o rótulo, o nome, a função, a face que vem - pérola, luxo, magia, cravo-e-canela, atração fatal, paris, condessa, cigana, gabriela, fortuna, malícia, pecado, final feliz. Esmalte, amigo, não é cor nem vaidade nem nada daquilo que você pensava. Esmalte, amigo, é mandinga da brava.
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
detalhes & rubores
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
de favor
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
à moda de ana c.
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
rehab.
a insônia. o girar da cama. o delírio.
o prenúncio do vício. os neurônios a mil sinapsando avais e recursos para a manutenção daquela onda eletromagnética de fechar os olhos.
no dia seguinte, a inexplicável calmaria. mas a certeza de que só dura alguns dias. até o corpo me pedir mais. me torturar com as câimbras da abstinência. se perder na leveza de ser um corpo sem o peso d'outro corpo.
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
incêndio no lamaçal: há animais cuja extinção se deseja
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
tectônica.
mas é só fechar os olhos. uma a uma e pra cada pessoa que desatenta, uma pedra pula do fundo da terra e liberta sua natureza dançante.
domingo, 7 de setembro de 2008
mestre et pupila
dos teus olhos.
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
gastrite, caramelinhos e caraminholas
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
miocárdio.
e eu me deixo ir.
domingo, 31 de agosto de 2008
Agora já pode piscar.
Depois, uma porção de lágrimas quentes de belladonna, os contornos fogem como se deus (o grande colorista) tivesse esquecido que a gente deve pintar sempre para dentro das linhas. Isso eles fazem por gentileza. Para nada destruir o eco daquela última imagem de dentro da retina.
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
retina
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
No dia - drops de arame farpado
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
boa educação.
mas que você se atente ao aviso escrito em letras pequeninas no rodapé da sala de estar: essa casa é minha e aqui não existe o direito de você trocar as coisas de lugar.
domingo, 24 de agosto de 2008
sunken
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
decomposição
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Drops de caramelo - Fatos da vida 1.
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
427, apto 23.
abriu os olhos e esperou com angústia os instantes para sua retina se adaptar à luz-pouca. viu os 143 livros empilhados no chão. as roupas amontoadas em 7 caixas a alguns metros da cama. viu o corpo dele dançando no balanço da cortina. ouviu o choro do filho que eles não tiveram. viu a mão. se confundiu com o brilho da capa dos 27 cds que couberam a ela no amputar de sua vida antiga. viu o punho. fechou os olhos. sentiu a dor.
tinha levado consigo mais coisas do que se poderia contar com números. tinha levado mais peso do que era possível carregar.
_____________
um prazer postar aqui.
mesuras aos companheiros de blog e saudações aos leitores.
nos vemos às segundas.
domingo, 17 de agosto de 2008
um-dois, um-dois
---
o caramelinhos está de volta!
agora com novos ingredientes ;)
segunda-feira, 19 de maio de 2008
sábado, 1 de março de 2008
Peito do pé do Pedro (parte 4)
Além de ser apaixonado pelos pés daquelas que ele - não sei por que cargas d'água - teima em chamar de donzelas, noutra das coincidências da vida, Pedro se acha um pé-de-valsa. E sempre pede uma salsa seja qual for o baile em que baile. Eu, seu pé, só acompanho. Deixo que elas, pernas, me guiem. Claro, claro, Pedro só tira pra dançar as tais donzelas em sandálias. E fica inventando passos para poder pegar com mãos os pés delas. O problema é que nesses momentos da dança elas não entendem o que passa. Aí ele tenta explicar com o olhar, nada. Tenta explicar com um movimento de mãos e braços, elas só rodopiam no espaço. Inventa, então, levantá-las para na descida deixar um pé preso às pretensas mãos hábeis de Pedro. Semana passada derrubou duas assim, uma deixou a bunda doendo à beça, outra foi de cabeça. E termina toda noite apelando às bizarras agachadas ou curvadinhas que dá a buscar um pé e realizar a poesia dos movimentos que cria. Os observadores Pedro sempre deixa petrificados em apreensão. Uma vez, preciso reconhecer, foi aplaudido, por certo, de pé. Mas geralmente o pede pra parar o tal gerente que getilmente já o apelidou de Pedro, o buscapé.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
há!
sábado, 23 de fevereiro de 2008
Peito do pé do Pedro (parte 3)
Bom, o doce predileto do Pedro vocês podem adivinhar: pudim. Claro, o melhor doce! Pé-de-moleque, que nada. Moleque sou eu, o pé dele, que a acabo de pegar vocês. Não acharam engraçado? Menos vão achar a brincadeira que ele escolheu pra dar uma cantada na última bailarina que o deixou caidinho. Ela, pelo menos, não riu nadinha. Onde já se viu chamar alguém de super-égua por achar que a dona de um pé daquele tem mais sorte do que se houvesse uma ferradura ali pregada? Pedro, essa foi dura... muito. Mas não tanto quanto a canela que saiu dessa toda dolorida pela bicuda da sapatilha dela.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
falta
Mania de homem, ir se despindo pela casa, tacando tudo no chão, peça por peça.Atrás do sofá, uma camisa suada. Um toque de calcanhar, finta no par de chinelos e adentra a grande área! De serviço, claro. Toca a enfiar a blusa na máquina, fechar a bichinha à força. Acabou. Desaba no sofá. Fecha os olhos, respira fundo: um...dois...três. Abre o olho de sopetão. Esse fazer nada não dá.
Sandália no pé, bolsa a tiracolo e bye-bye tédio de sábado. Dar uma volta, mas pra onde? Por aí, tanto faz. Cidade vazia, o mundo parado e a vida girando ao redor de uma outra bola. Na calçada, sentia-se no banco, a única fora da arena verde.Exceto por aquele cara ali. Talvez como ela, fugindo do marasmo do dia de jogo. Andando a esmo. Não. Andando na mesma direção. Dois quarteirões, vira à esquerda. Ele também. Marcação cerrada. Vem chegando. Toque. Ela dribla. Ele se aproxima. Escanteio. Ela tenta fugir. Impedimento. O adversário vem forte pra roubar a bolsa.Embaixadinha nas bolas. Puxa a faca. Mata no peito.
sábado, 16 de fevereiro de 2008
Peito do pé do Pedro (parte 2)
Certo dia, eu já cansado de tanto que ele corria, aconteceu um fato engraçado. Pedro, aquele louco louco por pé de mulher, e que havia calçado em mim mais uma vez aquele tênis velho e apertado, saiu em disparada pelo gramado gamado por uma dona, dona de uma sandália, que deixava nus seus peitos, peitos do pé. Enquanto eu lá ia, sentindo a cada passo as asperezas do solo pela sola desgastada, notei - ele não - que a tal feet-top-less era passada ao lado. Instantes depois, achando a ter perdido, Pedro parou, para meu alívio, e ali viu que deveria voltar. Eu preferiria algum descanso, mas não foi por isso ou maldade que, quando ele virou, esmigalhei com o peso dele o mindinho e o seu vizinho da versão esquerda daqueles pés de moça tão bonitinhos. Pezinhos, por sinal, que não combinavam nada com a boquinha, que abriu um vão bem grandão e soltou cada palavrão mais cabeludo que o outro, perdigotando o peludo rosto de Pedro, agora enxavido e cheio de puxa-vidas. Ainda bem que hoje em dia, já crescido, ele não mais é de bater o pé!
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
...
sábado, 9 de fevereiro de 2008
O peito do pé do Pedro (parte 1)
sábado, 26 de janeiro de 2008
a R.T.
A perda é como uma pedra engolida a seco. Não há líquido gástrico, nem que tanto bata, que fure a dureza da perda. Alguém que partiu, sabe-se lá pra que mundo, torna-se mineral. E parte-nos irrevogável e implacavelmente como o tempo. Ou como a natureza agigantada e geológica que se quebra no mar: morro junto d'água. Como o mágoa do Rio, onde fica a paisagem da beleza e a maior parte daqueles que a construirão em suas agora para sempre nostálgicas memórias.