Levanta a bola. Mata no joelho. Ajeita no peito. Chuta e...chão. Desistiu e pegou a bola na mão. Bola de meia. Suja, ainda por cima. Do safado do marido, que deixou ela sozinha num sábado à tarde pra ir ver jogo no estádio. Sozinha, não, vai: com um cesto de roupa suja deste tamanho. E se é cesto, vamos lá, lance livre e... cesta!
Mania de homem, ir se despindo pela casa, tacando tudo no chão, peça por peça.Atrás do sofá, uma camisa suada. Um toque de calcanhar, finta no par de chinelos e adentra a grande área! De serviço, claro. Toca a enfiar a blusa na máquina, fechar a bichinha à força. Acabou. Desaba no sofá. Fecha os olhos, respira fundo: um...dois...três. Abre o olho de sopetão. Esse fazer nada não dá.
Sandália no pé, bolsa a tiracolo e bye-bye tédio de sábado. Dar uma volta, mas pra onde? Por aí, tanto faz. Cidade vazia, o mundo parado e a vida girando ao redor de uma outra bola. Na calçada, sentia-se no banco, a única fora da arena verde.Exceto por aquele cara ali. Talvez como ela, fugindo do marasmo do dia de jogo. Andando a esmo. Não. Andando na mesma direção. Dois quarteirões, vira à esquerda. Ele também. Marcação cerrada. Vem chegando. Toque. Ela dribla. Ele se aproxima. Escanteio. Ela tenta fugir. Impedimento. O adversário vem forte pra roubar a bolsa.Embaixadinha nas bolas. Puxa a faca. Mata no peito.
Um comentário:
Genial e cruel!!
Bjs,
REMO.
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