Além de ser apaixonado pelos pés daquelas que ele - não sei por que cargas d'água - teima em chamar de donzelas, noutra das coincidências da vida, Pedro se acha um pé-de-valsa. E sempre pede uma salsa seja qual for o baile em que baile. Eu, seu pé, só acompanho. Deixo que elas, pernas, me guiem. Claro, claro, Pedro só tira pra dançar as tais donzelas em sandálias. E fica inventando passos para poder pegar com mãos os pés delas. O problema é que nesses momentos da dança elas não entendem o que passa. Aí ele tenta explicar com o olhar, nada. Tenta explicar com um movimento de mãos e braços, elas só rodopiam no espaço. Inventa, então, levantá-las para na descida deixar um pé preso às pretensas mãos hábeis de Pedro. Semana passada derrubou duas assim, uma deixou a bunda doendo à beça, outra foi de cabeça. E termina toda noite apelando às bizarras agachadas ou curvadinhas que dá a buscar um pé e realizar a poesia dos movimentos que cria. Os observadores Pedro sempre deixa petrificados em apreensão. Uma vez, preciso reconhecer, foi aplaudido, por certo, de pé. Mas geralmente o pede pra parar o tal gerente que getilmente já o apelidou de Pedro, o buscapé.
sábado, 1 de março de 2008
Peito do pé do Pedro (parte 4)
Além de ser apaixonado pelos pés daquelas que ele - não sei por que cargas d'água - teima em chamar de donzelas, noutra das coincidências da vida, Pedro se acha um pé-de-valsa. E sempre pede uma salsa seja qual for o baile em que baile. Eu, seu pé, só acompanho. Deixo que elas, pernas, me guiem. Claro, claro, Pedro só tira pra dançar as tais donzelas em sandálias. E fica inventando passos para poder pegar com mãos os pés delas. O problema é que nesses momentos da dança elas não entendem o que passa. Aí ele tenta explicar com o olhar, nada. Tenta explicar com um movimento de mãos e braços, elas só rodopiam no espaço. Inventa, então, levantá-las para na descida deixar um pé preso às pretensas mãos hábeis de Pedro. Semana passada derrubou duas assim, uma deixou a bunda doendo à beça, outra foi de cabeça. E termina toda noite apelando às bizarras agachadas ou curvadinhas que dá a buscar um pé e realizar a poesia dos movimentos que cria. Os observadores Pedro sempre deixa petrificados em apreensão. Uma vez, preciso reconhecer, foi aplaudido, por certo, de pé. Mas geralmente o pede pra parar o tal gerente que getilmente já o apelidou de Pedro, o buscapé.
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