sábado, 29 de setembro de 2007
LUZ NEGRA
Mar e céu azuis, contendo o horizonte. Assim como todo o feeling que vem do mais belo blues. Mas seus olhos, de profundo negro, é que contém o infinito, e aquela nossa alegre luz.
sexta-feira, 28 de setembro de 2007
suor
A roseira me olhou com ceticismo. Desviei meus dedos com cuidado de cada espinho. Depenei algumas das folhas serrilhadas do caule. Limpei o suor da testa e esfreguei a mão no avental. O dia estava quente, já começava a acumular suor nas dobras do vestido de festa. Meu salto oscilou por entre as pedrinhas do chão, e me segurei na borda do vaso, sujando a polpa dos dedos com terra. Tomei do alicate e extirpei o botão mais fechado. Ele me olha, franzido e azedo, abotoando a sua lapela.
sábado, 22 de setembro de 2007
poema nenhum
O poema não erradicou, às vezes mais me fazem os alheios. Mas a estante d'alma não rima já lidos sentimentos. E a falta da hora presente, pressente que é mesmo falta: algo que só se preenche, ainda que brisa, se diferente.
sábado, 15 de setembro de 2007
óbvio
Eu só não sou mais óbvio que um comentarista de futebol, que um guitarrista de rock'n roll, que todas as pistas que já deixei... e você não notou.
quinta-feira, 13 de setembro de 2007
souvenir
Você chegou de viagem com sua mala vazia e abriu na minha frente como se fosse responsabilidade minha enche-la de sonhos ou versos ou seja lá o que fosse que você esperava de mim. Por isso eu a enchi com meus suéteres, saias de caxemira, blusas azuis e um perfume enrolado em um lenço, estralei a trava e rasguei a perfeição do nosso chão encerado com as rodinhas da mala e deixei em cima da cama, eviscerado, todo o vazio que trouxeste.
sábado, 8 de setembro de 2007
ainda
... soube pela voz interna que a ternura daquele salto ainda se encontraria, como todos os outros, alcançando, ainda que com a mão, o chão. O tempo fora mesmo de inverter sentidos...
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
yup.
Dia magnífico, não é mesmo? Céu alto e claro, esperando pra ser musicado. Tudo crocante. Esperança de algo? Não, nem tanto. Brisa leve leve, como deve ser. Uma vontade de ser feliz só porquê. Ah, devia ser proibido ser tão bonito assim tão cedo. Assim tão vaso cristalino, só esperando pra ser quebrado.
sábado, 1 de setembro de 2007
circunferência
Foi tudo apenas uma inversão. De céu e terra. E a poeira que eu respirava era pureza e o peso da cabeça era uma simples outra maneira de olhar. Tão simples ver o mundo assim... Mas terminei por me achar um idiota ao brusco fim da cambalhota.
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