sexta-feira, 21 de novembro de 2008
esconderijos e encontros
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
parotempo
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
meia luz
era o crepúsculo. ela se emaranhava em um nó de dores e desejos. talvez o chamasse de saudade. mas era só o crepúsculo. alguns cientistas - ela havia lido certa vez - demonstraram que muito do que sentimos - aparentemente no âmago ou alma - é pura química corporal. e passou a pensar na paixão avassaladora como uma maldição, um ente cruel, um maligno alquimista de seu ser. mas era só o crepúsculo. nem ela, nem os tais cientistas - talvez alguns poetas apenas - entenderam o poder da meia luz a esvair-se. toda nostalgia-depressão-ou-mera-tristeza será sempre filha do assombro da hora em que o dia cede ao breu. até que a noite cai, esparramam-se letreiros, promessas e postes se acendem. enfim, a luz novamente, ainda que outra. e torna tudo mais fácil, mais indolor. ou pior, esperançoso. e depois a aurora.
(ispirado nesse texto de Jaque Lima:
http://jaque-lima.blogspot.com/2008/10/tarde-noite.html)
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
um conto chamado situações (parágrafo 4 de 4)
Um ano antes, a moça que fora dama de honra dessa festa pagã via pela primeira vez o Robertinho. E quase chorou de comoção com o sorriso mútuo à primeira vista. Robertinho, por sua vez, demorou a contá-la que era herdeiro de um vasto patrimônio financeiro construído pelo avô. Antes, preferiu encantá-la com seus dotes artísticos, exibindo seus quadros, até interessantes, mas que juntos nunca chegariam a valer perto de um milésimo do que aquilo que herdaria por sua fortuna genética. Algum tempo depois, eles perderam juntos suas virgindades. E o dia mais feliz da vida dela foi quando, aos 21, recebeu de Robertinho o pedido de casamento no café de uma livraria em Paris. Perceberam bem?, o dia mais feliz da vida dela. O que me deixa triste, dado que viveu até os 89 anos de idade, três filhos, cinco netos, alguns amigos, outros nem tanto, muitas festas, lágrimas e toda aquela coisa.
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
um conto chamado situações (parágrafo 3 de 4)
Pois, no andar de baixo, um menino de 3 anos que ouvia a gritaria e o som das pancadas começava a chorar. Tal garoto, já devo antecipar-lhes, por sua vez, não teve uma vida das melhores, ou das sonhadas por seus pais. Aos 10 anos de idade foi iniciado sexualmente por sua instrutora na colônia de férias, esta aos 17 à época, durante a calada de uma noite fria, em um colchão muito pelo contrário. Mas não sintam pena por isso, dado que o rapazote agradeceu aos céus sua precocidade e as vantagens que passou a possuir, então, sobre os coleguinhas. Precocidade essa confirmada quando aos 15, aí sim, engravidou a namorada. Por isso, foi posto a trabalhar desde cedo. Depois teve uma overdose aos 18, e veio a falecer enfartando aos 41 enquanto curtia a festa de um ano de casamento com sua terceira esposa.
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
um conto chamado situações (parágrafo 2 de 4)
A alguns metros dali, em um apartamento muito bem decorado, a pesada mão de um homem alto e um tanto fora de forma estalava sobre o rosto de uma bela mulher, cuja idade real faria qualquer um crer que a carteira de identidade era por demasiado exagerada. Os xingamentos de puta, piranha, vadia, eram proferidos aos brados pelo homem fora de si. E que, a certa altura, já começava a ditar regras novas sob as quais aquele lar (sic) seria regido. Os ouvidos da mulher deitada, úmidos das lágrimas que o assolavam, sabiam que não havia veracidade em nada daquilo que lhes ressoava. Naquele instante ela tinha certeza de que a relação se encerrava em definitivo. E, apesar do rosto ardendo, não se arrependia um orgasmo sequer. O homem, ainda turvo em seus pensamentos baqueados, sentia que se ela soubesse de todas as suas aventuras poderia taxá-lo de injusto, mas precisava tomar a atitude que a vida lhe ensinara adequada a um homem naquela situação. É possível que esse pensamento tenha disparado nele uma crise de choro logo em seguida, mas não tenho certeza disso.
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
um conto chamado situações (parágrafo 1 de 4)
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
detalhes & rubores
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
à moda de ana c.
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
incêndio no lamaçal: há animais cuja extinção se deseja
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
gastrite, caramelinhos e caraminholas
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
retina
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
decomposição
segunda-feira, 19 de maio de 2008
sábado, 1 de março de 2008
Peito do pé do Pedro (parte 4)
Além de ser apaixonado pelos pés daquelas que ele - não sei por que cargas d'água - teima em chamar de donzelas, noutra das coincidências da vida, Pedro se acha um pé-de-valsa. E sempre pede uma salsa seja qual for o baile em que baile. Eu, seu pé, só acompanho. Deixo que elas, pernas, me guiem. Claro, claro, Pedro só tira pra dançar as tais donzelas em sandálias. E fica inventando passos para poder pegar com mãos os pés delas. O problema é que nesses momentos da dança elas não entendem o que passa. Aí ele tenta explicar com o olhar, nada. Tenta explicar com um movimento de mãos e braços, elas só rodopiam no espaço. Inventa, então, levantá-las para na descida deixar um pé preso às pretensas mãos hábeis de Pedro. Semana passada derrubou duas assim, uma deixou a bunda doendo à beça, outra foi de cabeça. E termina toda noite apelando às bizarras agachadas ou curvadinhas que dá a buscar um pé e realizar a poesia dos movimentos que cria. Os observadores Pedro sempre deixa petrificados em apreensão. Uma vez, preciso reconhecer, foi aplaudido, por certo, de pé. Mas geralmente o pede pra parar o tal gerente que getilmente já o apelidou de Pedro, o buscapé.
sábado, 23 de fevereiro de 2008
Peito do pé do Pedro (parte 3)
Bom, o doce predileto do Pedro vocês podem adivinhar: pudim. Claro, o melhor doce! Pé-de-moleque, que nada. Moleque sou eu, o pé dele, que a acabo de pegar vocês. Não acharam engraçado? Menos vão achar a brincadeira que ele escolheu pra dar uma cantada na última bailarina que o deixou caidinho. Ela, pelo menos, não riu nadinha. Onde já se viu chamar alguém de super-égua por achar que a dona de um pé daquele tem mais sorte do que se houvesse uma ferradura ali pregada? Pedro, essa foi dura... muito. Mas não tanto quanto a canela que saiu dessa toda dolorida pela bicuda da sapatilha dela.
sábado, 16 de fevereiro de 2008
Peito do pé do Pedro (parte 2)
Certo dia, eu já cansado de tanto que ele corria, aconteceu um fato engraçado. Pedro, aquele louco louco por pé de mulher, e que havia calçado em mim mais uma vez aquele tênis velho e apertado, saiu em disparada pelo gramado gamado por uma dona, dona de uma sandália, que deixava nus seus peitos, peitos do pé. Enquanto eu lá ia, sentindo a cada passo as asperezas do solo pela sola desgastada, notei - ele não - que a tal feet-top-less era passada ao lado. Instantes depois, achando a ter perdido, Pedro parou, para meu alívio, e ali viu que deveria voltar. Eu preferiria algum descanso, mas não foi por isso ou maldade que, quando ele virou, esmigalhei com o peso dele o mindinho e o seu vizinho da versão esquerda daqueles pés de moça tão bonitinhos. Pezinhos, por sinal, que não combinavam nada com a boquinha, que abriu um vão bem grandão e soltou cada palavrão mais cabeludo que o outro, perdigotando o peludo rosto de Pedro, agora enxavido e cheio de puxa-vidas. Ainda bem que hoje em dia, já crescido, ele não mais é de bater o pé!
sábado, 9 de fevereiro de 2008
O peito do pé do Pedro (parte 1)
sábado, 26 de janeiro de 2008
a R.T.
A perda é como uma pedra engolida a seco. Não há líquido gástrico, nem que tanto bata, que fure a dureza da perda. Alguém que partiu, sabe-se lá pra que mundo, torna-se mineral. E parte-nos irrevogável e implacavelmente como o tempo. Ou como a natureza agigantada e geológica que se quebra no mar: morro junto d'água. Como o mágoa do Rio, onde fica a paisagem da beleza e a maior parte daqueles que a construirão em suas agora para sempre nostálgicas memórias.