sábado, 26 de janeiro de 2008

a R.T.

(1987-2008)

A perda é como uma pedra engolida a seco. Não há líquido gástrico, nem que tanto bata, que fure a dureza da perda. Alguém que partiu, sabe-se lá pra que mundo, torna-se mineral. E parte-nos irrevogável e implacavelmente como o tempo. Ou como a natureza agigantada e geológica que se quebra no mar: morro junto d'água. Como o mágoa do Rio, onde fica a paisagem da beleza e a maior parte daqueles que a construirão em suas agora para sempre nostálgicas memórias.

3 comentários:

R disse...

Adorei a imagem da pessoa que se vai tornando-se mineral.
Grande poeta!!!

Abs,
REMO.

Marla de Queiroz disse...

Tão linda essa sua descrição sobre a perda...eu sempre imaginei um sol se pondo bruscamente no meio de uma tarde de verão...Mas a sua foi indiscutivelmente mais bonita..."Uma pedra sendo engolida a seco" é de uma exatidão incrível.
É uma pena que tanta beleza fale de algo tão triste.

Um beijo grande, poeta.

Anônimo disse...

Leandro,
você sempre tem uma forma interessante de capturar emoções.
Muito bonito, sexta-feira agora também perdi uma pessoa muito especial, minha avó... por isso, sempr vou lembrar deste escrito.

Beijo grande