quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

pisa

Se eu te disser que os cadarços dos meus sapatos estão apertados. Você pode achar que eu estou dizendo que estou amarradona em você. Você pode achar que estou falando dos nossos laços. Você pode achar que estou dizendo pra você sair do meu pé. Você pode achar que eu acho que você está me sufocando. Você pode subentender que eu ando enrolada. Você pode interpretar como uma espécie de enforcamento. Você pode ver como uma imobilização que não deixa tirar os pés do lugar. Você pode enxergar um milhão de coisas. Mas você nunca olha para os meus sapatos.

3 comentários:

R disse...

A gente espera algo do tipo (pelo menos nós, poetas, acostumados em ler poesias), mas, apesar disso, você fecha de uma maneira que foge do que esperávamos - e isso é ótimo!!! Czarina já para uma monarqui brasileira de versos!!
[ só me deixa ser
o bobo da corte! ;) ]

Bjs,
REMO.

Leandro Jardim disse...

hehe, ótimo!

:D

Anônimo disse...

Ah, não tem jeito, nenhum. Amo os seus escritos.