sábado, 29 de dezembro de 2007

reveillon

Nada era mais claro do que a escuridão, que era desejada como pano de fundo para a luz, ainda que pequena e efêmera embora celebrativa, dos fogos de artifício. E não havia metafísica que não traduzisse aquilo tudo em metáfora para o ano.

sábado, 22 de dezembro de 2007

24, 25, 26...

Por essas épocas, em meio ao suor e às chuvas de verão, alguns, como eu, deverão se perguntar: o que é na prática o repetido desejo "feliz natal"? Durante esse período, costumamos ouvir outros votos que me parecem mais significativos, tal qual "boas festas" e "feliz ano ano novo". Sim, sim, quero que minhas festas sejam sempre bailes sublimes, fico grato pela preocupação. Que se dirá, então, de um ano vindouro inteirinho feliz? Definitivamente é algo a se desejar. Agora, "feliz natal" nunca me pareceu um voto ideal. Senão vejamos, estaria se desejando uma ceia saborosa, presentes acertados de amigos ocultos na noite véspera? Ou o que se espera é que o dia 25 seja agradável e alegre? Mas só o dia 25 de dezembro, há quem o diga à noite? Enfim, a julgar pela minha baixa religiosidade, parece-me pouco para tanto estardalhaço. Desejemos um futuro melhor, não só hoje, façamos-o sempre. E que não sejam só as festas ou o ano seguinte, e, sim, o mundo futuro que deixaremos aos próximos. É mais útil! E quanto aos presentes, que não nos detenhamos a datas forçadas. E, por favor, vamos evitar textos com finais piegas como esse próprio. Perdoem-me essa chatice natalina, é metalinguagem pra firmar o ponto...

sábado, 15 de dezembro de 2007

Instrumentos

Meu lápis - que não abusa - ora é enciclpéida, ora portal de fuga. Às vezes ele se faz bengala, noutras é analista com direito a divã e sala. E há mais uma longa lista de benfeitorias que lhe dedico sem saber. Mesmo agora, com essa dor de mal escrever, sem rubor ou pudor, sem poder. Aí entra o caderno, redoma, que me protege. O impulso primário vem e dá a base de tudo. Para que o tempo, aos poucos, me eleve. E o passado, aos trancos, pondere. Sem que eu deixe, assim, passar mais nada que valha. Nem o acerto do sim, nem o negativo da falha.

sábado, 8 de dezembro de 2007

Ah, o porvir...

O passar do tempo é natural e sabidamente das coisas mais intrigantes dessa nossa insignificante e preciosa vida. Em sua dialética entre pessimistas e otimistas pontos de vista de tudo se conclui. E o correr, em especial dos anos e décadas, é por vezes mal falado em exagero. Já se dissertou a morte, já chorou-se a perda e temeu-se o fim. A glória já foi conquistada, encontros cantados e previsto o estranho destino de tudo: o escombro de algo que já foi. Portanto, e como me enfadonha o repetitivo, proponho um outro inequívoco, o das possibilidades viáveis (não que seja eu o inventor disso, é apenas mais um algo sobre o que redijo). Me explico. A beleza de hoje se encontra em alguma parte entre o encantamento e a alegria que nos proporciona a arte do instante. Isso somando-se a nossa habilidade para percebê-la. E subtraindo-se o produto de outras desagradáveis condições à volta, por dentro e do sentimento. Além, é claro, do empurrão das escolhas, percebidas ou não. Tudo isso resulta na vida: a ávida vida presente. E tal momento é sempre tão somente o resultado a que se chegou dadas as possibilidades (olhe elas aí) vigentes. E assim sucessivamente. O que quero dizer com isso é que o amanhã se fará com as possibilidades do amanhã. Apenas com elas e, por favor, atente para o fato da impossibilidade delas hoje. Pense comigo. Há coisas (acontecimentos, experiências, vivências, descobertas, deleites...) que só chegarão ao status do possível no presente em algum amanhã. Essa é uma beleza da passagem do tempo. Esse é um presente que só nos será passado pelo futuro. Um pacote infinito de novas possibilidades a todo instante. É uma cartola de mágico a cada hora. Um livro por dia de novas histórias. Ah, o porvir... Há resultados aos quais só conseguiremos chegar com a alquimia dos elementos do amanhã. E que novos ingredientes serão? Encomendas, surpresas, enfim. Tomemos, por exemplo, a mim, há alguns minutos me caiu a possibilidade de um texto que nunca antes me havia ocorrido. E agora, só agora, a possibilidade de um satisfeito ponto final. Que nunca é tão final assim, afinal sempre lhe segue um depois com reticências...

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Eu sei ler cartas. Cartas de amor não passam de cartas de tarô. Pequenos sinais e cifras, clichês do tempo do meu avô. Simbolismo demais me enjoa. Diga o que tiver que ser dito, doa em quem quer que doa. Eu entendo as entrelinhas, os futuros, as insinuações, os instantes. Eu sei ler cartas e eu entendo o que você prediz, mas eu não acredito em tarô nem em cavaleiros de armaduras brilhantes. O que eu não entendo é o amor, o que eu não entendo é o amante.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Pequeno Sertão: Anedotas

Cumpadre, que mulher baita! Precisava ver a rapariga, a sirigaita. Bonita de dar dor de barriga. Inté bom pra dar uma aliviada, eu tava com uma prisão de ventre danada. Ah, proveita e risca um fósforo aqui no banherin da birosca, saiu tudin, eita, muita... Sujeira... Bão, vou voltar pra mesa... Ué, mas cadê o Zé que tava lá comigo? "Correu pro banheiro mas ocê já tava usando...". Vixe, e aí?! "Se cagou todin! Não é que voltou a bela dona!" Peladona? "Vixe, imagine se fosse..." É, cumpadre, se ela continuar no bairro ocê bem que vai ter que improvisar outros banheirins no bar. Ah, se vai...