O passar do tempo é natural e sabidamente das coisas mais intrigantes dessa nossa insignificante e preciosa vida. Em sua dialética entre pessimistas e otimistas pontos de vista de tudo se conclui. E o correr, em especial dos anos e décadas, é por vezes mal falado em exagero. Já se dissertou a morte, já chorou-se a perda e temeu-se o fim. A glória já foi conquistada, encontros cantados e previsto o estranho destino de tudo: o escombro de algo que já foi. Portanto, e como me enfadonha o repetitivo, proponho um outro inequívoco, o das possibilidades viáveis (não que seja eu o inventor disso, é apenas mais um algo sobre o que redijo). Me explico. A beleza de hoje se encontra em alguma parte entre o encantamento e a alegria que nos proporciona a arte do instante. Isso somando-se a nossa habilidade para percebê-la. E subtraindo-se o produto de outras desagradáveis condições à volta, por dentro e do sentimento. Além, é claro, do empurrão das escolhas, percebidas ou não. Tudo isso resulta na vida: a ávida vida presente. E tal momento é sempre tão somente o resultado a que se chegou dadas as possibilidades (olhe elas aí) vigentes. E assim sucessivamente. O que quero dizer com isso é que o amanhã se fará com as possibilidades do amanhã. Apenas com elas e, por favor, atente para o fato da impossibilidade delas hoje. Pense comigo. Há coisas (acontecimentos, experiências, vivências, descobertas, deleites...) que só chegarão ao status do possível no presente em algum amanhã. Essa é uma beleza da passagem do tempo. Esse é um presente que só nos será passado pelo futuro. Um pacote infinito de novas possibilidades a todo instante. É uma cartola de mágico a cada hora. Um livro por dia de novas histórias. Ah, o porvir... Há resultados aos quais só conseguiremos chegar com a alquimia dos elementos do amanhã. E que novos ingredientes serão? Encomendas, surpresas, enfim. Tomemos, por exemplo, a mim, há alguns minutos me caiu a possibilidade de um texto que nunca antes me havia ocorrido. E agora, só agora, a possibilidade de um satisfeito ponto final. Que nunca é tão final assim, afinal sempre lhe segue um depois com reticências...
3 comentários:
Bonitooooooooooo
mmm...! gostei!
Belo texto, doce e denso, e delicado, tem um sabor de... morangos maduros com calda de chocolate???... E, ainda por cima, publicado nesta data, tão especial, dia mágico para mim, talvez também para outros, outras, e me lembro que foi neste dia, 08 de dezembro, que Frida Khalo casou-se pela segunda vez com seu amado Diego...
Sim, o porvir, as raspas do passado, as frestas do devir!...
Um beijo, caramelado.
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