sexta-feira, 26 de setembro de 2008

detalhes & rubores

apenas o vermelho da unha anelar esquerda apresentava evidente desgaste do esmalte. mas não era pouco o estrago que isso fazia naquela mão tão alva e bela. ele tentava não reparar. não pensar que a unha à meia tinta comunica uma espécie de dor; denuncia o cansaço de algum trabalho manual; é uma sombra de desencanto que não consegue se esconder. ainda mais quando vermelha, como o sangue, as paixões políticas, como se diz do céu ao se por o sol (ainda que laranja). a boca! a boca, ele pensou. na boca quis fixar, então, seus esperançosos porém tímidos olhos. mas o rubro do batom estrangulava a intensionada sensualidade ao deixar escapar um borrãozinho (se é que algo pode ser aumentativo e diminutivo ao mesmo tempo) na lateral.

6 comentários:

Anônimo disse...

Adorei!!!!
Muito bem escrito....vi a cena toda, desde a unha até a boca e a cara e o cabelo dessa mulher.

Segue essa linha.

É muito gostoso de ler!!!!

Te amo.

bjs

A czarina das quinquilharias disse...

perigoso, o vermelho.
né?

Fernanda Leturiondo disse...

vermelho acaba que nunca é detalhe.

C. disse...

essas coisas aumentativas e diminutivas ao mesmo tempo, assim como as doces enquanto tristes, me dão vontade de poesia. sempre sempre.

vermelho é coisa que atrapalha o livre-arbítrio dos olhos. mesmo.

é bom aqui.

R disse...

Brilhante, delícia de ler!!

Abs,
REMO.

Marcia Barbieri disse...

Que detalhista! Prestarei mais atenção aos borrões...

beijos