domingo, 7 de setembro de 2008

mestre et pupila

Eu vi o menino se debruçar através dos olhos do homem, a alegria de uma bobagem, uma alegria qualquer. Eu vi as coincidências armarem suas linhas pelos meus aposentos, as coincidências que ligam as angulosas geometrias dos lugares que a gente freqüenta. As coincidências que a gente inventa. Letras coloridas e orelhas de caderno. Pequenos infernos particulares. Nossos demônios, eles também precisam de lares. Eu vi as coincidências brandas ou assombrosas, escamosas ou divertidas. Vi nossas figuras no espelho, iguais, pero invertidas. Que é como é a minha imagem que tu guarda, miniatura de ponta cabeça na tua retina.Eu, que por ventura já fui a menina
dos teus olhos.

6 comentários:

Yara Souza disse...

invertida na retina
és a czarina
dos olhos

R disse...

Nada como a delícia dos textos "czarinos"... rsrs!

Bjs,
REMO.

Naomi Conte disse...

de infinita delicadeza.

.mãos coloridas disse...

linda.

Leandro Jardim disse...

porque é pupila
da pupila
é que brilha

sempre bom lê-la

beiJardins

Carecajow disse...

Tu parece Raul Seixas (Eu vi...), misturada com platão (coincidências brandas...)... Eu gosto