sexta-feira, 22 de agosto de 2008

decomposição

A melodia assombrava-lhe justo por não ser sombria. Era triste, mas doce, fria e suave como a brisa da tarde que insiste. Era tudo tão tal e qual seu estado atual que ele não era capaz de notá-lo. E ele escrevia e riscava e escrevia e riscava versos que eram só isso, versos. Versos sem cura ou magia, líricas sem o fio da metafísica. Vã inspiração, réstia de desejo, febre fugidia e outros delírios assim ele gritava em pensamento consigo. Ousou a rima na prosa, cantou uma rosa a menina e batucou com a carne dos dedos e a fibra das unhas. Ao final, compôs uma canção deitada, mas sem sombra de música e à luz do vão, enfim...

5 comentários:

R disse...

Porra!!

Bonito isso, Jardinzinho!!


Abs,
REMO.

Mariana Laura disse...

Queria ouvir...

do baú disse...

Nossa, que lindo!

Marcia Barbieri disse...

Seja o sal da terra,afinal,tudo que é morno é insípido. Parabéns pelo texto.
Beijos

Yara Souza disse...

Tua canção deitada decomposta, que ousa rimar a prosa. Assombrosa.