segunda-feira, 18 de agosto de 2008

427, apto 23.

não sabia os truques da casa nova. não tinha aprendido os passos certos pra se mover no escuro e não tinha educado o corpo pra se esconder dos medos num movimento rápido. o cheiro forte de tinta, os estalos dos móveis, a alergia e o susto a impediam de ter um sono tranquilo.
abriu os olhos e esperou com angústia os instantes para sua retina se adaptar à luz-pouca. viu os 143 livros empilhados no chão. as roupas amontoadas em 7 caixas a alguns metros da cama. viu o corpo dele dançando no balanço da cortina. ouviu o choro do filho que eles não tiveram. viu a mão. se confundiu com o brilho da capa dos 27 cds que couberam a ela no amputar de sua vida antiga. viu o punho. fechou os olhos. sentiu a dor.
tinha levado consigo mais coisas do que se poderia contar com números. tinha levado mais peso do que era possível carregar.

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um prazer postar aqui.
mesuras aos companheiros de blog e saudações aos leitores.
nos vemos às segundas.

5 comentários:

R disse...

Definitivamente eu gosto de você!!!

Que estréia!!

Evoé, Mirella!! Bravo!!

Beijos meus!
REMO.

A czarina das quinquilharias disse...

uma história toda nesses pedaços.
lindo
:*

Anônimo disse...

sempre lindo, não importa aonde.
nos vemos às segundas

bjo da Janinha

Leandro Jardim disse...

belo belo, belas coloridas mãos. Ah, o que não faz um dedinho de cor...

bem-vinda

Leandro Jardim disse...

belo belo, belas coloridas mãos. Ah, o que não faz um dedinho de cor...

bem-vinda