domingo, 31 de agosto de 2008

Enquanto encostava o meu queixo e a minha testa contra os ferros, a coluna bem torta para alcançar a altura correta. A luz se acendeu no fundo, para um olho só. Embaça, duplica e depois fica perfeita. Uma estrada sinuosa, um balão colorido, um céu azul. Foca no balãozinho. Obedeço. E agradeço. Em uma máquina dessas, imagina cada coisa que eles podiam nos obrigar a olhar. Dentes amarelos, splashes publicitários, um espelho,baratas com as perninhas para cima, mas em vez disso um balãozinho singelo. Não contenho o sorriso.
Agora já pode piscar.
Depois, uma porção de lágrimas quentes de belladonna, os contornos fogem como se deus (o grande colorista) tivesse esquecido que a gente deve pintar sempre para dentro das linhas. Isso eles fazem por gentileza. Para nada destruir o eco daquela última imagem de dentro da retina.

4 comentários:

Leandro Jardim disse...

todo lirismo de um exame de vista, hehe, genial... ah tivesse eu o poder de ver belo assim cada exame que a medicina moderna impõe... hehe

beijardins coloridos e borrados

R disse...

Porra!! E vou dizer só "porra" mesmo que isso aqui tá qualquer coisa de.

Sem palavras!


Bjs,
REMO.

.jota disse...

sempre fantástica.

.mãos coloridas disse...

me espanto com essa tua versatchiilidadzi.
lindo texto, bonita.