domingo, 12 de outubro de 2008

ensaboa

Tua memória tem desbotado tanto. Já está nos últimos tons de rosa e não demora a sumir. Teu rosto é uma nódoa removível com água morna e sabão sapóleo. Tudo quase bolha e espuma. Tudo indo longínquo na bruma. O pergaminho se esgarça, da próxima vez se imprima em pedra. Em mim. Que daí já nem com areia. Que nem esfregando com força e tempo. Que a imagem se deforma, mas não vai. Pra não depender de nenhuma das cores do espectro. Pra nunca deixar
De me assombrar.

4 comentários:

Leandro Jardim disse...

Incrível! Triste, sim, mas de lirismo imenso. Perfeitamente digno da pena de uma certa Czarina!

beiJardins

R disse...

Triste, doído e de uma beleza e delicadeza e riqueza de imagens e sutilezas invejáveis!

Coisa de Czarina mesmo!!

Bjs,
REMO.

fabiana jardim disse...

Sempre visito, nunca comento, mas dessa vez preciso dizer: perfeito! Muito bonito e delicado. Obrigada a todos vocês, por dividirem as histórias.

Anônimo disse...

Absolutamente, lindo.
encantou-me.