Você foi meu muso mais fiel, meu (cuidado, vou usar uma palavra aterrorizante) meu amor mais impossível. Mas antes de tudo, depois de tudo, você era a pessoa para quem eu contava tudo. Não havia nada pequeno demais ou grande demais. Nada bobo demais ou indesculpável. E te ver era descortinar o sol, era alguma perfeição rara e inexplicável desses momentos que não pertencem à realidade e contrariando todas as possibilidades, acontecem, simples assim. Eu te escrevia cartas, longas e curtas, talvez apenas um bom dia para cada manhã, aquelas cartas com minha assinatura mas sem teu endereço, nossas cartas embaralhadas e confusas, sem destinatário certo.
Só que escrever, escrever é construir labirintos e isto é tudo o que fazíamos, aumentar as paredes e depois virar as esquinas e dar com finais abruptos sem poder olhar por sobre as ameias, sem poder mais do que chamar seu nome e seguir virando ângulos e cruzando umbrais.E foi vagar por este labirinto sem um fio de Ariadne, essa longa e exasperante teia de muros, já faz tanto tempo que eu já não sei, se me visses agora, se eu seria tua saída ou teu minotauro, se erraríamos juntos ou nos tatearíamos sem nos reconhecer no escuro, como mais um trecho de pedra, outro pedaço de muro.
4 comentários:
Porra!! Bonito pra caralho!!
Czarínico, eu diria!
Bjs,
REMO.
Gosto de facas afiadas assim! Se é pra transfazer em lirismo, que seja remodelagem artística das entranhas, sem perder uma gota de sangue, ou render-se às figuras simples. Isso é poesia: limpa, linda e lírica :)
Eu realmente sou sua fã ;-)
nos labirintos, nos perdermos, nos achamos. mas nem sempre somos a saída de um para o outro.
adorei a poesia. me fez viajar...
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