quinta-feira, 2 de agosto de 2007
rayito
Se arrastava pelo sótão com correntes. As correntes, não sabia porquê. Talvez por comodismo, por ser o que lhe diziam a respeito de fantasmas. Por já não saber quem era; Apenas que morrera. Um dia levantou uma telha, estava tão bonito lá fora. Tão bonito. Atravessou a porta do sótão, desceu as escadas, as correntes arrastando atrás. Atravesssou a porta da rua e apertou os olhos pra luz não doer. Bobagem. Não tinha olhos. Manias que a gente pega com a vida e depois é difícil de se livrar. Um passeio pela calçada, uma ida ao parque, alguns impulsos (seria o vento?) no balanço. Voltava pro sótão sem perceber que esqueceu no caminho as correntes. E, mesmo pra um fantasma, flutuava mais leve.
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2 comentários:
gostei! dá vontade de saber mais sobre a odisséia desse primo do penadinho!
De um lirismo latente e pungente!!
Putz!! Você é gênia!!!
Adoro muito!!
Bjs,
REMO.
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