Nada no tampo liso de madeira. Nada além do duplo, do reflexo. Apoiou o copo com água gelada. A água espalmou em torno do copo, o carimbo líquido e redondo. Toque de campainha e a água se queda de oferenda. Você aqui? Vim te ver. Sei. Você deixou isso lá em casa. Deixei, não quero, é seu. A Yolanda não gosta, sabe que era seu. Pode deixar ali no hall. Mas é que dá pena. Já disse que não quero, dê para um mendigo, sei lá. Um mendigo?O que um mendigo vai fazer com um tapete? Se enrolar, dormir em cima, vender, importa? é dele e ele faz o que bem entender. Que indiferente, você. Não é, só não quero me sentir mal de olhar para o chão. Se ficar olhando pra baixo é porque já não ta se sentindo muito bem. Não seja engraçadinho. Hm. Ta bom. Você recomenda algum mendigo em particular? Não sei, na pracinha tem um monte. Algum em particular? Tem um de barbinha e gorro verde, com um cachorro, muito simpático, ele fica geralmente perto da fonte. Fonte? A fonte, sim, aquela com uma estátua de cavalo... Nunca vi. Ai meu deus. Me leva lá. Oquei.
Pegou a bolsa e calçou os chinelos de borracha, bateu a porta, trancou. Depois, foram tomar um sorvete.
3 comentários:
Simplesmente fantástica!
Sublime!!
Evoé, Czarina!! Ave, Czarina!! Arriégua, Czarina!!
Bjs,
REMO.
Cotidiano.
Olho pro chão, procurando o tapete.
Não achei.
Olho pro alto, procurando o tapete... o mágico! Voei!
Nas suas palavras. Adorei!
Beijos de início!
a.c.sanches@globo.com
Hehe, bacana! :)
Postar um comentário